Seguro auto precisa usar peças originais?

Umas das muitas dúvidas que costumam assombrar as pessoas sobre proteção automotiva é se o seguro auto precisa usar peças originais. Se você também tem dúvidas sobre isso, descubra a resposta para essa questão neste artigo.

Contar com um seguro auto é fundamental nos dias de hoje.

Mas, mesmo contando com essa proteção, sofremos com algumas dúvidas quando somos surpreendidos por um sinistro.

Uma delas, e provavelmente a mais recorrente é se o seguro auto precisa usar peças originais.

Podemos adiantar que a resposta para essa dúvida é sim.

No entanto, existem algumas ressalvas sobre essa questão que precisam ser mencionadas.

Acompanhe o artigo e entenda melhor o assunto.

Seguro auto precisa usar peças originais?

Imagem: Getty Images

O seguro auto precisa usar peças originais sempre?

Tecnicamente a resposta para essa pergunta é sim.

De acordo com uma norma estabelecida pela SUSEP, a Superintendência de Seguros Privados, instituição responsável por regulamentar os serviços de seguro, todas as empresas de seguro são obrigadas a obedecer essa regra.

Além disso, o art. 70 da Lei nº 8.078/90 do Código de Defesa do Consumidor ressalta que reparos com peças usadas ou genéricas só podem ser feitos mediante autorização do consumidor.

Ou seja, se você tem um carro ainda comum ao mercado, e sofre um acidente ou mesmo tem seu veículo roubado e posteriormente recuperado, e esse precise de reparos e/ou trocas de peças, a seguradora é obrigada a arcar com esses reparos, utilizando peças originais.

O que são as peças paralelas?

As peças paralelas tem duas origens: ou são fabricadas por outras empresas que não são as montadoras dos carros, ou são fabricadas pelas próprias montadoras mas vendidas paralelamente em oficinas independentes.

O esperado é que elas cumpram o mesmo papel que uma peça original, com a mesma qualidade e durabilidade.

Além disso, devem seguir as mesmas determinações.

Essas peças costumam ser mais baratas e são encontradas facilmente em lojas específicas do setor e em algumas oficinas.

Contudo, o motorista não deve confiar cegamente.

É preciso suspeitar de valores extremamente baixos, pois nesses casos a qualidade torna-se questionável.

Quando o valor está muito abaixo do mercado, há grandes chances de a peça ter sua durabilidade corrompida, além de ser mais provável de a peça não possuir um bom encaixe ou não funcionar da maneira como deveria.

De qualquer forma, seu valor é realmente bastante atrativo.

Alguns indicadores apontam que as peças paralelas podem custar até 70% menos do que as peças originais.

Além disso, foi visto que em momentos de crise, o mercado de peças cresce, já que as pessoas preferem consertar seus carros a trocar por um novo.

Mas o que se destaca é que justamente o mercado de peças paralelas é o que possui um maior aumento nas vendas.

Quando o seguro auto pode utilizar peças usadas?

A utilização de peças não originais pode ser feita apenas sob duas hipóteses, no caso de se tratar de um carro mais antigo que tenha peças difíceis de serem encontradas na versão original, ou se o cliente autorizar o uso de peças usadas a fim de diminuir o custo do reparo.

Portanto, sim, o seguro auto precisa usar peças originais.

E caso ele se negue ou utilize pelas usadas sem a autorização do cliente, conforme a disposição estabelecida no Código de Defesa do Consumidor no art. 70 da Lei n.º 8.078/90, o responsável estará sujeito a uma pena de detenção que pode ser de 3 meses a 1 ano, além de uma multa paga em dinheiro.

A seguradora pode oferecer o conserto de veículo com peças não originais?

Em alguns casos as seguradoras propõem repor com peças genéricas, porém o consumidor não é obrigado a aceitar e pode exigir que seja utilizada apenas peças originais e com o número de série.

A exceção está se essa informação estiver prevista em contrato, deixando claro que a peça de reposição auto pode ser similar.

Se não for possível entrar em acordo com a seguradora no caso dessa não aprovar o reparo com peças originais é preciso recorrer judicialmente.

No contrato, essa substituição deve estar bastante clara, especificando cada uma das peças que podem ser utilizadas peças genéricas, e quais serão trocadas exclusivamente por peças originais.

Além disso, as peças paralelas ou usadas que podem ser usadas para um possível reparo, também devem ser especificadas no contrato.

Segundo o Código do Consumidor, as especificações técnicas dos fabricantes devem ser mantidas.

Mas nos casos de perda total, a obrigatoriedade das peças originais permanece, além de permanecer nos itens de segurança.

Assim, a possibilidade de utilizar peças paralelas é apenas quando o sinistro é parcial.

As peças de seguradora usadas para veículos de terceiros podem ser genéricas?

Quando se faz a adesão ao seguro auto, normalmente é estabelecido em contrato a relação entre a seguradora e o segurado, estipulando o auto peças originais.

Em relação ao veículo de terceiros não costuma haver detalhamento de que tipo de peça será utilizada e por isso acorre uma brecha.

Apesar disso, conforme o CDC se subentende que o seguro auto precisa usar peças originais em todas as situações, cabendo ao terceiro aceitar ou não a condição.

Em algum caso a seguradora pode recuperar peças?

Sim. Quando se trata do seguro Auto Popular fica estabelecido que podem ser usadas peças recondicionadas para reparar o veículo.

As peças auto usadas nesse caso estão autorizadas no contrato do segurado e tem essa condição, pois o seguro é destinado para veículos com mais de 5 anos de uso.

Como os carros mais antigos podem não ter mais peça de reposição fabricadas fica estabelecida essa regra.

Entretanto, as peças devem seguir algumas normas determinadas pelo INMETRO e serem recondicionadas a fim de garantir segurança ao motorista e serem legalizadas.

É possível contratar um seguro que já determine a utilização das peças alternativas?

A resposta é sim.

Existe uma modalidade de seguro onde a seguradora pode utilizar peças alternativas.

No entanto, essa condição é definida e deve ser explicada detalhadamente para o cliente no momento da contratação do seguro.

No caso dos seguros tradicionais, no entanto, essa condição também deve ser apresentada ao cliente antes de ele fechar negócio.

Nesse caso, ele pode optar por colocar, ou não, essa condição no contrato, já que no caso dos seguros tradicionais, essa alternativa não é obrigatória.

Seguro popular

O seguro popular é uma modalidade de seguro auto, que existe há, relativamente, poucos anos no mercado.

Ela foi criada para atender a demanda de carros mais antigos que normalmente não conseguem realizar o seguro tradicional.

Ou para carros que possuem um valor de mercado mais baixo a ponto de os proprietários acharem que um seguro tradicional não vale a pena.

O valor do seguro popular é bem mais baixo do que o valor do seguro tradicional.

Porém, a maior flexibilidade para o uso de paralelas é um dos principais motivos para esse preço mais barato.

Além disso, não são todos os carros que podem contratar o seguro popular.

As empresas estão aceitando apenas carros com mais de 5 anos de fabricação.

Nesses casos, por serem carros mais antigos, encontrar peças originais também fica mais difícil, um dos motivos para que eles não sejam aceitos nos seguros tradicionais.

A seguradora sugeriu o uso de peças similares pois não havia disponibilidade de originais. Encontrei peças novas para carros online para comprar, a seguradora pode me ressarcir?

Esse é um procedimento que não costuma estar previsto no contrato, portanto, é um acordo entre a seguradora e o segurado.

Nesse caso deve haver um acordo entre a partes se o procedimento será liberado e como deverá ser feito.

Sem a aceitação da seguradora existe um risco da peça não ser reembolsada, por isso, a conversa é sempre o melhor caminho.

Como funcionam os casos dos carros antigos?

Nesses casos, se a seguradora não encontrar peças novas ou originais, ela poderá solicitar a permissão do cliente para o uso de peças usadas, ou dependendo do estrago, declarar perda total por ausência de peças no mercado.

Dependerá do que for negociado em contrato e no momento da resolução do sinistro.

Com essas condições mais flexíveis para o uso de peças usadas o seguro auto ainda vale a pena?

A resposta dessa pergunta é: depende.

Você está disposto a deixar um bem tão caro como um carro correndo o risco de sofrer um sinistro, em muitos casos, integral?

Considerando apenas as chances de roubos e furtos, em 2018 1 carro foi furtado ou roubado a cada minuto no Brasil.

Foram em torno de 400 mil ocorrências durante o ano.

E a melhor alternativa para se proteger desse risco e diminuir o prejuízo é justamente fazer um seguro auto.

Fora isso, há ainda outros vários benefícios como assistência 24 horas, guincho e carro reserva em grande parte das coberturas.

Porque o fato do seguro auto precisar usar peças originais é bom e ruim?

O seguro auto precisa usar peças originais, isso é um fato que possui dois lados, um bom e um ruim, veja quais são eles:

O lado bom do uso de peças novas e originais

O lado positivo dessa determinação é que o uso de peças novas e originais garante o não uso de peças que possuam uma origem duvidosa, em muitos casos, ilegais.

Além disso, a qualidade e segurança na execução e resultado do serviço também são garantidos, já que se o processo de qualidade para a produção e aceitação dessas peças é altamente rigoroso.

Outra desvantagem dessa liberação é o impacto no mercado de seguros.

Isso porque, o esperado é que os valores diminuam com essa possibilidade, o que tornará o mercado mais competitivo.

No entanto, para os clientes que buscam por utilizar apenas peças originais, o seguro pode ficar mais caro.

O lado ruim do uso de peças novas e originais

O pior lado ruim dessa obrigatoriedade é que o valor do seguro acaba sendo muito maior por causa dela.

Tornando esse serviço muitas vezes inviável para quem não dispõe de condição financeira para arcar com ele.

Especialmente no caso de seguros para carros mais antigos, muitas vezes nesses casos o carro é considerado como perda total, apenas pela dificuldade de encontrar peças novas e originais para a reposição.

Os seguros populares poderão fazer uso de peças usadas nos reparos de sinistros.

Essa determinação torna o seguro auto acessível para muitas pessoas, mas, não é válida para todos os casos.

O seguro auto precisa usar peças originais na maioria dos casos e exceções só podem ocorrer mediante autorização do segurado.

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3 Comentários

  • Paulo Henrique says:

    Boa tarde,

    Como não foi acionado o sinistro, querem que eu aceite uma peça paralela pagando a franquia. Como não aceito, é para eu comprar na concessionária uma nova e pedir o reembolso. Pode?

    Obrigado

  • Paulo Henrique says:

    Boa tarde,

    Alguém quebrou a lanterna traseira do meu carro Corolla. A seguradora tentou empurrar uma paralela mediante o pagamento da franquia. Mas não quero aceitar a peça. Então, mencionaram para eu comprar a peça e pedir o reembolso. Será que está certo? Obrigado.

    • Sanaira Silveira says:

      Boa tarde Paulo,

      Obrigada pela mensagem,
      Em caso de sinistro, entre em contato com o corretor para que possa ajuda-lo.
      Obrigada pela mensagem em nosso site.

      Para fazer a cotação de seguro, você precisa preencher o formulário em: https://www.smartia.com.br para que um de nossos corretores parceiros entre em contato com você.

      Atenciosamente

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